Romeu e Julieta - Além de amor
- Mariana Braga
- 3 de mai. de 2024
- 2 min de leitura
03/05/2024
Por Mariana Braga
Duas famílias, ambas iguais em dignidade (Na bela Verona, onde colocamos nossa cena)....
Talvez você conheça a primeira fala de uma das peças mais conhecidas de Shakespeare, Romeu e Julieta; uma história muitas vezes adaptada, desde nos famosos filmes de 1968, onde temos a icônica e hiper romântica música What Is A Youth, e de 1996, aquele do Leonardo di Caprio; até em uma música da Taylor Swift (Love Story) e um filme esquecido de animação onde os Capuletos e Montéquios eram clãs de anões de jardim.
Contudo, o que nunca foi perdido em adaptação é o amor de Romeu e Julieta, aquele arrebatador, consumidor de corpo e alma, que brilha mais que as estrelas e faz o pecado valer a pena. A epítome do romance. É a força central da história, aquilo que faz pessoas morrerem, incluindo o par apaixonado e que faz leitores e espectadores torcerem e, fatalmente, se apaixonarem.
Trágico e arrebatador.
Ou não.
Agora, leitor, preciso que você ouça com atenção. Não serei a pessoa chata que apenas cuspirei fatos a fim de desmerecer a história de amor mais marcante da humanidade (como a Julieta ter apenas treze anos e ser um romance que dura apenas quatro dias), não que estes estejam errados. Apenas quero chamar atenção a outro aspecto importantíssimo da história, tão frequentemente negligenciado: o ódio.
Ódio é o que move a história, ou melhor, a tragédia de Romeu e Julieta. Se não fosse o ódio entre ambas as famílias, o amor daqueles jovens nem seria proibido para início de conversa. E para que odiar, afinal de contas? Nunca, em momento algum da trama, é nos apresentado um motivo viável para que tamanho desgosto seja transmitido. E mesmo assim, ocorre, causando mortes, até que finalmente estas, o absoluto absurdo do suício de dois jovens, traga a paz.
Então sim, caro leitor, o amor é relevante. Teoricamente, se não fosse este, a paz nunca chegaria. Contudo, não é esta a parte mais relevante do conto, por mais que seja a mais marcante. Afinal, é apenas na segunda frase que o relacionamento central é mencionado. Sim, pois a primeira frase da história - a frase que sempre será a mais importante - não diz sobre amor, diz sobre o ódio.
… Reativam sua antiga inimizade, manchando mãos fraternas sangue irmão.
E tal feito levanta um importante questionamento do que diz respeito ao mundo hodierno. O que move nosso mundo, amor? Ou ódio?
Espero que, diferentemente dos jovens amantes fadados à derrota, a juventude de hoje seja capaz de, mesmo que aos poucos, trazer a paz entre os conflitos que nos formam e guiam. Afinal, somos todos iguais em dignidade, já dizia William Shakespeare.


Muito bom👏👏👏
Uau que reflexão! Abordagem ímpar que nos faz refletir...parabéns!