"A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes" - Análise com Spoilers!
- Mariana Braga
- 3 de mai. de 2024
- 3 min de leitura
03/05/2024
Por Alice Sarmento
Este livro deixou-me sem palavras, quero dizer tantas coisas sobre ele!
Primeiramente, este livro é uma prequel da trilogia dos Jogos da Fome, e conta a história dos 10º Jogos Vorazes , no ponto de vista de Coriolanus Snow e a sua "relação" com Lucy Gray, uma concorrente do Distrito 12. Os dois se conhecem após o instituto de estudo de Snow ter o selecionado como um dos mentores dos Jogos, ou seja, ele seria responsável por um jovem escolhido na Colheita(processo de seleção por “sorte” dos escolhidos para participar do “evento”.
Como punição pela Guerra e os chamados “Tempos Sombrios”, cada distrito deve oferecer dois jovens de 12 até 18, de sexos opostos, para competir até a morte na arena. Se você está se perguntando o porquê de uma punição tão cruel e inumana ser aplicada, o motivo é simples e ao mesmo tempo autoritarista: os Distritos perdem sua força de vontade para se rebelar contra os maus- tratos e abusos do governo.
Assim, este livro mostra uma época em que os Jogos eram muito simples, apenas colocavam as crianças na arena com algumas armas para lutarem uns contra os outros, mas foi nos 10º Jogos que isso começou a mudar, deixando uma prática tão grotesca mais cruel: começaram a fazer da morte das crianças dos distritos um espetáculo, com a ideia de apostas sobre quem ia ganhar e as pessoas da Capital a enviarem mantimentos para os seus favoritos. Ele capta a forma como tratavam as crianças dos Distritos como animais, muito evidente quando as colocam todas numa jaula de jardim zoológico, e os cidadãos da Capital podem olhar e deixar-lhes comida se quiserem, fazendo referência a um pensamento elitista e de superioridade.
Além disso, gosto do fato de este livro não ser um arco de redenção para Snow, que é mostrado desde o início como uma pessoa má e que se acha superior às pessoas dos distritos, mesmo quando estava literalmente a passar fome todos os dias tal como eles e não tinha dinheiro, apenas o seu "status". Snow teve uma infância muito traumática, vivenciando os horrores da guerra, mas ao invés de usá-la para se tornar uma pessoa melhor e mais empática, ele culpou os rebeldes por uma guerra que só aconteceu porque o governo de Panem(o território existente depois de uma crise mundial que deixou o mundo em ruínas) era um sistema ditatorial. Adoro que a Suzanne Collins - a autora- ter dado a entender que ter uma experiência dolorosa não é desculpa para ser uma pessoa terrível, como muitos escritores fazem para justificar as atitudes do "vilão".Isso fez Snow pensar que, para que os seres humanos estejam em paz e não em guerra, a Capital deve controlar as pessoas por meio de um contrato de opressão, violência e leis e regulamentos rigorosos. Na verdade, acho isso bastante interessante- o jeito em que por meio da ficção, a autora exemplifica pensamentos perigosos que podem levar um governo autoritarista ao poder.
Lucy Gray - nossa misteriosa mas intrigante personagem- é muito interessante para mim, por causa do mistério de seu final. Ela se escondeu na floresta, foi baleada por Snow ou fugiu para o Distrito 13? Nunca saberemos, e esse pensamento me assombra e assombra Snow. Não acho que Snow estivesse apaixonado por ela, ele apenas gostava da ideia de ser o dono dela, já que ele diz várias vezes que ela é DELE, e Lucy não era essa garota inocente como parece. No início, ela se mostra gentil com ele porque é uma boa pessoa, mas ele era o único que poderia ajudá-la a sair da arena. Me machuca internamente o fato de Lucy Gray ter sido apagada e sua existência nos Jogos esquecida , como se eles nunca tivessem acontecido, uma vez que a Capital proibiu a distribuição de cópias do evento. O "foreshadowing" nesse livro é INSANO, a história do nome de Lucy é exatamente o que acontece com ela, ela também se torna um fantasma, uma garota que ninguém sabe o que aconteceu com ela.


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